Meu pensamento ao acabar o livro Os 13 porquês, de Jay Asher é o mesmo dos primeiros capítulos. Sem entrar em méritos sobre motivos para suicídio, pois acredito que não existem. A questão é que não acho justo ser culpada por alguém, quando essa pessoa está propensa a encontrar motivos em tudo. Qualquer coisa que eu diga ou fale, será um motivo para ela.

Imagem com fundo preto escrito: Atenção tenho defeitos

O livro

Entendo que um dos objetivos do livro é mostrar a importância das pessoas serem legais umas com as outras. Mas a questão é que para quem está pré-disposto a esses pensamentos, não fará muita diferença. Praticamente qualquer forma de ação será vista como um gatilho.

Achei que o livro Os 13 porquês deixou a desejar nesse sentido: o personagem do Clay se sente culpado e não expõe seu pensamento de que a razão do problema vem da Hannah, e não dele ou de qualquer outra pessoa.

Tudo bem que algumas pessoas das fitas foram realmente cruéis, mas, na minha opinião, metade ou mais não fizeram nada que parecesse realmente forte para a grande maioria das pessoas.

Outra questão é para que atentemos aos sinais dos que estão ao nosso redor. A questão é que as pessoas tem dias bons e ruins. Não agem da mesma forma sempre. Se você não for muito próximo de determinada pessoa, raramente vai perceber algo…

E mesmo que perceba uma diferença, o outro raramente se abre. A própria Hannah não se abriu. Ela esperava que as pessoas falassem com todas as palavras:  você está pensando em suicídio? Mas ninguém sai por aí perguntando isso pros outros…

Recepção de mensagem

Por isso, provavelmente eu seria um porquê na lista da Hannah.

E provavelmente toda e qualquer pessoa que esteja lendo esse post também seria! Até porque, quem consegue ser legal 24 horas por dia? Quem consegue esconder suas frustrações o tempo todo para não afetar o outro?

Me entendam: temos como controlar muitas coisas na vida, mas não temos como controlar a forma como o outro recebe a mensagem que passamos. Toda interpretação de mensagem, seja ela falada ou escrita, depende não só do emissor, mas também e até com um peso maior, do receptor. Enquanto para algumas pessoas uma crítica ou comentário ruim faz com que ela tome isso como um gatilho para o suicídio, outras tomam como um desafio pessoal que modifica toda sua vida positivamente. Como a pessoa recebe a mensagem é muito mais determinante na vida dela do que como a mensagem foi de fato dita. Claro que tem coisas bem definidas como bullying, coisas que magoam. Assim como tem pessoas ruins que falam essas coisas propositalmente, mas também existem pessoas que não fazem ideia de que estão magoando alguém, porque para aquela pessoa, aquilo não quer dizer nada…

Imagem em fundo preto com citação do livro "Quem é você Alasca?"

“Acho que essa é a questão central. Ninguém sabe ao certo quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito.”

“Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa.”

Até que ponto o emissor tem controle sobre a recepção da mensagem?

Então, se formos parar pra ficar pensando demais nisso, não vamos mais nos comunicar. Mas não, espera… Se não falar com a Hannah, ela se sente invisível e eu viro um porquê da mesma forma….

imagem mostrando que tudo seria um motivo para alguém pré-disposto a ter um motivoEssa foi a minha sensação lendo o livro Os 13 porquês: a personagem já tinha tomado a decisão e só estava procurando os motivos. Os menores motivos serviam. E aí, é crueldade com o outro. O impacto que isso causa na vida do outro também é para sempre. Ela diz que as pessoas deveriam ter pensado na forma como ela se sentia. Mas ao gravar as fitas e entregar ao primeiro porquê, ameaçando-o de explanar as informações para todos, ela não está pensando no impacto disso na vida das outras pessoas.

Como 13 porquês me afetou

Muita gente ao acabar o livro diz que se sentiu muito mal pela Hannah. Eu me senti muito mal também. Mas por pensar em todas as pessoas que foram porquês sem de fato terem feito algo abominável. Me senti mal em saber que alguém em algum lugar poderia me culpar por algo que não tive a menor intenção de fazer. E na minha concepção, isso é cruel. Eu poderia pensar: como posso viver sabendo do mal que posso causar involuntariamente na vida do outro? E isso poderia ser um porquê de alguém que procura seus motivos.

Uma coisa é certa, o livro (assim como a série na Netflix), fizeram com que o tema viesse à tona e fosse amplamente discutido. Há quem seja a favor, por achar que a partir do momento em que se discute, as pessoas procuram mais ajuda; e há quem seja contra, pois acreditam que falar sobre suicídio, induz ao suicídio.

Deixo abaixo 2 links explicando melhor cada ponto de vista:

10 motivos para falar de suicídio

Médicos se preocupam com retrato de suicídio em série da Netflix

Que fique claro que tudo que esse post contém são opiniões próprias. Não tenho qualquer formação em psicologia ou área afim. São meus sentimentos sobre o livro. NÃO assisti à série.

 

 

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