Markus Zusac nos conta uma história de amor. Um amor diferente do amor amante, mas AMOR. O amor de uma menininha por seu papai, por seu amigo judeu que mora no porão, por seu melhor amigo Rudy Steiner e até pela sua nova mamãe ranzinza.

Parta da capa do livro A menina que roubava livros
Capa do livro “A menina que roubava livros”

Apesar de já ter lido há muito tempo (uns 10 anos), visto que li na primeira edição brasileira, lançada em 2007 pela Editora Intrínseca, é uma história que mexe bastante comigo.

Estou falando de “A menina que roubava livros”. A história de Liesel Meminger (a roubadora de livros, como ela gostava de ouvir) se passa entre 1939 e 1943. Liesel encontrou a Morte 3 vezes nesse período. E saiu viva das 3 ocasiões. Talvez por isso a Morte tenha resolvido nos contar sua história. E como diz na contracapa do livro, não é todo dia que a Morte conta uma história…

Contracapa do livro "A menina que roubava livros" com fundo branco e árvore preta e frase em vermelho
Contracapa do livro “A menina que roubava livros”

Interessante definição da Morte sobre Si mesma:

Eu não carrego gadanha nem foice.
Só uso um manto preto com capuz quando faz frio.
E não tenho aquelas feições de caveira que vocês
parecem gostar de me atribuir à distância.
Quer saber a minha verdadeira aparência?
Eu ajudo. Procure um espelho enquanto eu continuo.

A princípio, pensei que leria sobre roubo de livros. Mas não. Eles são narrados sim, mas poucos são realmente ‘furtos’. E o motivo deles é tão simples e sincero que é impossível julgar e condenar a menina. É quase como uma mãe que pega um pedaço de pão dormido para seu filho faminto. É necessidade! É urgência! É perdoável… Compreensível…

O foco da história, ao meu ver, é o amor. Sei que cada um terá sua visão. Pode ser que muitos leiam e digam que o livro é sobre a guerra, os judeus, o nazismo e o holocausto. Outros dirão que é sobre uma menina que roubava livros. Eu digo que é sobre o amor. Um amor sincero, inocente e doador, como só as crianças são capazes de nos mostrar.

Em um tempo em que a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte, vemos a beleza da vida pelos olhos dessa ‘linda’ menina.

O livro tem passagens belíssimas como a preocupação de Liesel com Max (o judeu no porão) quando ele ficou doente. Não era sobre o que fazer com o corpo de um judeu em plena Alemanha nazista, mas sim sobre o que fazer sem seu melhor amigo. Outras marcantes, como as partes intituladas “O diário da Morte”, em que a própria conta trechos de sua ‘vida’. São momentos reflexivos. A Morte se diz cansada. Quer férias, que nunca terá. Fala de Deus.

Apesar de ser uma história de ficção, sabemos que o sofrimento dos personagens foi real para milhões de pessoas. Talvez por isso seja tão difícil falar sobre esse livro. Recomendo que todos o leiam e também se apaixonem, assim como eu.

Origami vermelho sobre uma página do livro aberta
Trecho do livro.

O começo do livro é um tanto quanto maçante e confuso demais. Lembro que comecei a ler esse livro algumas vezes antes de conseguir continuar. Porém, asseguro que vale a pena persistir para conseguir captar toda a beleza das palavras de Markus Zusak.

Markus Zusak nasceu em 1975 e é australiano.

Outros livros dele (traduzidos para o português):

Eu sou o mensageiro (2007 – Intrínseca)
O azarão (2012 – Bertrand Brasil)
Bom de briga (2013 – Bertrand Brasil)
A garota que eu quero (2013 – Intríseca)

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